O Tiro feminino - Críticas da Época

Ano: 1912
Críticas:

(O País):
"Tiro feminino é o nome do 'Vaudeville' em três atos, que teve as primeiras representações ontem no Cinema-Teatro Rio Branco.
Foi uma série de enchentes.
A nova peça representa uma crise em que as mulheres, abandonando os seus lares, organizam uma linha de tiro deixando os maridos em sérias dificuldades para se desempenharem dos vários afazeres domésticos. E, finalmente, após uma série de contratempos, em que a platéia tem constantemente oportunidade de dar gostosas gargalhadas, as mulheres convencem-se de que para os misteres de homens só os homens, voltando a vida doméstica.
Todos os que tomaram parte na representação que ontem assistimos desempenharam a contento os seus papéis, merecendo menção especial os Srs. Olímpio Nogueira, no papel de José Procópio, conseguindo trazer os assistentes em constante hilaridade; Alvaro Fonseca, no Gregório e Silveira, no Gaspar.
Hoje, terão os freqüentadores do excelente Cinema-Teatro Rio Branco ocasião de voltar a desopilar o fígado, pois continua em cena o Tiro Feminino. [...]"

(Jornal do Comércio)
"Com cenários realmente bonitos, de Jayme Silva e montado com gosto, deu-nos ontem a empresa do Cinema-Teatro Rio Branco um desopilante ‘vaudeville’, O Tiro Feminino, original dos Srs. João Silvestre e João do Palco.
Como em geral são as peças desse gênero, o Tiro Feminino é complicada e salpicada de imprevistos; de princípio a fim o seu diálogo é animado e por vezes brejeiro, os ‘qüiproquós’ se sucedem engraçados e as situações caminham numa progressão cômica.
A roupagem musical foi talhada pelo maestro Paulino Sacramento, com o gosto e elegância que todos lhe reconhecem.
Com tais elementos o popularíssimo ator Brandão, que é um ensaiador de nota, marcou e ensaiou a peça de modo a proporcionar uma representação engraçadíssima aos freqüentadores do Cinema Rio Branco, onde os espetáculos são sempre agradáveis.[...]"

(Jornal do Brasil)
"Um sucesso, em verdade um justo sucesso o da nova peça do Cinema-Teatro Rio Branco. Justo, sim, porque aquilo que ali se viu ontem é uma coisa coerente, feita sem pretensões, para um palco que não as pode ter e para um público que não as pode exigir e depois, não é o decalque, a repetição de personagens e quadros de outras peças como o que se vê vulgarmente por aí.
Não se trata de um primor literário, nem de um assombro teatral, mas de um ‘vaudevillezito’ urdido com habilidade, decente, tendo princípio, meio e fim e o que é mais tendo graça, graça de situações e de piadas. Além disso, enriquece-o a música do Sr. Paulino Sacramento, sempre fresca e leve, com dois números trabalhados e os outros, de caráter popular muito alegres, muito agradáveis. [...]"



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