Secretário de Sua Excelência (O futuro presidente)
Críticas da Época

Ano: 1920
Críticas:

(Jornal do Comércio)
"O Sr. Armando Gonzaga fez ontem, no S. Pedro, a sua estréia de autor teatral, em condições bastante lisonjeiras e auspiciosas. No ‘Secretário de Sua Excelência’ não há grandes apuros de técnica teatral nem maiores novidades no assunto; mas a sucessão dos episódios é habilmente encaminhada e os tipos - sobretudo o do fazendeiro nortista subitamente escolhido para Presidente do seu Estado, e o do moço bonito carioca que se arvora em secretário desse estadista feito à pressa - estão bem apresentados, com uma observação que o exagero caricatural empresta espirituoso relevo. Além disso, o diálogo é sempre ligeiro, espontâneo; e certas cenas, como a da ‘entrevista’ de Sua Excelência com um repórter do ‘Sol’, produziram geral e regalada hilaridade.
A música do Sr. Paulino Sacramento corresponde perfeitamente aos créditos desse aplaudido compositor. [...]"

(Jornal do Brasil)
"Folgamos em reconhecer no Sr. Armando Gonzaga um autor teatral. A quem esta declaração cause estranheza avisamos, desde já, que o fato de escrever uma peça e fazê-la representar não sagra ninguém autor. Isso é uma qualidade ingênita. O desconhecimento de tão simples verdade é a causa de muito desastre, de muitos prejuízos e de grandes massadas para todos nós.
O ‘Secretário de Sua Excelência’, além de ser uma peça bem imaginada, se bem que de extrema leveza, possui uma virtude que qualificamos de máxima - a graça espontânea, que realça o diálogo, por vezes, naturalmente espirituoso.
Deve o Sr. Armando Gonzaga dedicar-se a trabalho de maior vulto, a obra mais séria, que não seja destinada ao S. Pedro. Ali, para acomodar o ‘vaudeville’ ao gênero teatral explorado, houve evidente deturpação do espírito da peça, qual a de enxertar cenas de burleta e desengraçadíssimos números de música e canto. Todavia, a representação alcançou aplausos sinceros, índice seguro de haver a peça agradado.[...]"

(Gazeta de Notícias)
"A Companhia Nacional de Operetas do Teatro S. Pedro levou ontem à cena em primeiras representações o ‘vaudeville’ em 3 atos ‘O Secretário de Sua Excelência’, poema de Armando Gonzaga, com música de Paulino Sacramento.
As duas sessões de ontem tiveram assim regular concorrência.
O enredo da peça, digamos sinceramente, é o mais engraçado possível:
O coronel Praxedes (S. Exª) vem ao Rio e hospeda-se em uma pensão, onde, num belo dia é procurado pelo deputado Fulgêncio, que comunica a S. Exª a escolha do seu nome para presidente do Estado.
Na pensão morava um desses chamados ‘prontos’, sem emprego, sem dinheiro, que por um bambúrrio da sorte, é convidado pelo coronel para ‘Secretário de S. Exª ’. Daí se desenvolvem muitas cenas engraçadas, casamentos inesperados, situações interessantes, que provocam franca hilaridade. O secretário, investido de tão altas funções, pôs-se a fazer despesas fabulosas. No último ato, exatamente quando se realiza uma manifestação popular, o coronel Praxedes recebe um telegrama, no qual lhe comunicam a retirada de sua candidatura. O dono da pensão apresenta as contas. O coronel recusa-se a pagar as despesas do ex-secretário... mas tudo se resolve com o casamento deste com uma sua apaixonada, que lhe oferece o dote [...] "



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