O Ministro do Supremo - Críticas da Época

Ano: 1921
Críticas:

(O Jornal)
"O Sr. Armando Gonzaga nos deu ontem a conhecer no Trianon o seu novo original ‘Ministro do Supremo’ uma engraçada e bem urdida comédia de intriga.
A par disso, porém, há nos seus três atos, figuras observadas ou caricaturadas com grande habilidade e uma bem feita crítica a costumes de uma determinada classe social.
‘Ministro do Supremo’ tem por assunto a história de um pobre diabo carregado de família, cuja maior aspiração na vida era, no instante em que começa a desenvolver-se a comédia, alcançar uma nomeação de ministro do Supremo... pois além de ‘Supremo’ nada mais consentiu que desejasse o pobre homem a... censura policial.
E eis o nosso herói endividado, a fingir de homem rico, de figura de sociedade, mau grado os hábitos mais que modestos de sua gente. Enche-se de dívidas, encalacra-se até os olhos, para ver no fim de tudo, desfeito o seu lindo sonho, caindo de novo na realidade da vida.
Avolumando esse bem imaginado fio de enredo, não faltaram à comédia episódios interessantíssimos cenas de efeito, graça nas situações e no diálogo, concorrendo tudo para que a comédia tivesse bem cuidada feitura.
Releva salientar ainda os finais de ato, notadamente a maneira imprevista por que foi rematado o último, ou melhor a comédia.
Assim sendo, não podia deixar de agradar ‘Ministro do Supremo’, que apezar da noite chuvosa, encheu por duas vezes a sala do Trianon, divertindo francamente quantos foram assistir às suas primeiras representações e colhendo para o autor justos aplausos. [...]"

(Correio da Manhã)
"O ‘rábula’ Ananias fez conhecimento com um senador e pensou logo que, por intermédio do político, podia realizar o seu dourado sonho, que consistia em ser nomeado para uma das cadeiras do Supremo. Atrai o homem à casa, apresenta-o à família, enche-se de dívidas para isso, e afinal o senador que estava expirando o seu mandato, confessa que não tinha a menor influência, e valia tão pouco que não conseguira empregar o filho em nenhuma repartição, não obstante visitar constantemente os ministros.
Estourou como uma bomba a confissão e Ananias que se opunha ao namoro de sua filha Beatriz com um simples amanuense de secretaria, pensando já na cúpula de nossa magistratura, acaba concordando. Todo o seu caiporismo, pensava o infeliz homem, era oriundo de ter em casa esse pobre diabo [o moleque Vicente] e quer pô-lo na rua. Mas o rapaz, quase no desfecho se descobre, era filho de um taverneiro, a quem Ananias deve vários meses do aluguel de casa e o negociante ’in extremis’ em seu testamento, reconheceu-o como filho e deixa-o herdeiro de seus bens, que serão administrados pelo ‘rábula’ enquanto não se der a maioridade do Vicente. Por isso, Ananias muda de parecer, passa a considerar o rapaz a sua ‘mascote’ e exige que todos o tratem em casa com o máximo carinho.
É esse o assunto da comédia ‘Ministro do Supremo’ do Sr. Armando Gonzaga, representada, dizemos melhor, muito bem representada, ontem, pela primeira vez, no Trianon, com grande sucesso de riso. [...]"

(A Noite)
"O Trianon, que tem vivido de vitória em vitória, desde que ali se instalou a homogênea ‘troupe’ a cuja frente fulgura o nome da Sra. Abigail Maia, acaba de conquistar, de uma só cajadada, mais duas vitórias. Uma é a da Sra. Victoria Soares, a graciosa atriz, que embora tendo vivido vários anos afastada da comédia, veio patentear no elegante teatro da Avenida todos os recursos de que dispõe para o gênero; a outra, essa também com maiúscula, é a de ‘Ministro do Supremo’, a hilariante comédia de Armando Gonzaga, três atos encantadores de verdade e humor, passados no populoso bairro de S. Cristóvão.
As aventuras de ‘Ananias’, um rábula que se quer fazer ministro do Supremo e que Brandão Sobrinho (outro elemento de primeira ordem que vivia afastado do verdadeiro teatro) leva ao cúmulo da comicidade, fazem o público rir desabaladamente.
O ‘Vicente’, cria de Ananias, interpretado por Procópio Ferreira, não tem exemplo na história da comédia nacional. é de estourar.
O Trianon, por isso, enche-se diariamente, obrigando a empresa a desculpar-se com as pessoas que, por se retardarem, não conseguem arranjar lugares.
E é assim, coroada de aplausos e esgotando as lotações do Trianon, que ‘Ministro do Supremo’ caminha vitoriosamente para o centenário..."



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