A flor dos maridos - Críticas da Época

Ano: 1922
Críticas:

(A Tribuna)
"Com a comédia em três atos 'A flor dos maridos', firmada pelo talentoso escritor teatral patrício Sr. Armando Gonzaga, a Companhia Brasileira de Comédias iniciou no teatro Recreio, uma promissora temporada. E dizemos - promissora - porque, apesar do mau tempo e da sua estréia coincidir com uma 'premiére' no Trianon com a estréia de uma companhia estrangeira no Palácio Teatro, o público carioca soube corresponder a admiração que esse ótimo conjunto artístico impõe, correndo a assistir, numeroso, aos seus dois primeiros espetáculos. Este fato merece registro especial, e, certamente, muito dará que pensar aos céticos e pessimistas, sempre prontos a descrerem nos empreendimentos honestos, de caráter puramente, simpaticamente nacional.
Mas, adiante.
A peça escolhida para a estréia dessa companhia, que tem à sua frente a distinta e talentosa atriz Patrícia Davina Fraga, melhor não poderia corresponder à expectativa dos espectadores. Trata-se de uma comédia admiravelmente escrita e essencialmente brasileira. Desde o primeiro ao terceiro ato são as suas cenas magníficas de graça e de beleza. Diálogos vivos, alegres e cheios de ditos que provocam a maior alacridade.
Apesar de seu autor se apresentar ao público no propósito de divertí-lo, o que consegue de um modo amplo, merece a sua comédia inclusão entre aquelas que se destacam pelo aprimorado estudo de tipos e segurança de enredo.. Em se tratando de ação propriamente dita, não existe nela o emaranhado estafante, a apresentação de personagens inexistentes; tudo ali é perfeitamente definível, verossímil, real e bem observado.[...] "

(Rio Jornal)
"Não erramos ao noticiar que seria do maior agrado o espetáculo de estréia da Companhia Brasileira de Comédia, ontem, no Recreio.
E o que aqui dissemos vimos confirmado, quer em relação à peça de Armando Gonzaga, quer em respeito aos esforços do conjunto harmônico que a representou.
'A flor dos maridos' não é peça de observação, nem um trabalho de arte, destinado ao teatro de alta comédia; é uma peça ligeira, destinada a espetáculos por sessões, e com a preocupação inconfundível de divertir a platéia.
Nem por isso o autor se descurou de sua feitura. E a prova é que 'A flor dos maridos', sem um enredo novo, nem urdidura original, decorre em três atos cheios de graça, de muita graça mesmo, em que não se nota uma única piada grossa ou de interpretação duvidosa.
Os tipos são bem encaminhados e as situações bem postas, sem exageros que atinjam a inverossimilhança. São figuras do nosso meio, girando através de cenas copiadas da vida real.
Ressaltam nessa peça de Armando Gonzaga a facilidade e a naturalidade em que ele movimenta os personagens, tirando partido de muita comicidade de situações que, por vezes aparentam a maior circunspecção. É nisso ao nosso ver, que reside a maior parcela do segredo de Armando Gonzaga, na confecção de suas peças.
Se não elaboramos em erro, ao autor de 'A flor dos maridos' está reservado um lugar no primeiro plano, entre os nossos escritores teatrais[...]"

(Jornal do Comércio)
"Com o novo original do conhecido e festejado escritor teatral Sr. Armando Gonzaga estreiou, ontem, no Teatro Recreio uma nova companhia de comédias formada por elementos cujo valor artístico já é bastante conhecido.
A peça escolhida para esse novel conjunto artístico foi a comédia em três atos 'A flor dos maridos' logrando levar ao Recreio bem regular concorrência, apesar da inclemência do tempo.
'A flor dos maridos' é uma fina comédia, bem feita, muito interessante e bastante engraçada, fazendo rir bastante e sem necessitar o seu autor de lançar mão de exageros, frases dúbias ou licenciosidades.[...]"



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