O amigo da paz - Críticas da Época

Ano: 1922
Críticas:

(O Dia)
"Armando Gonzaga jornalista experimentado e escritor talentoso, é, sem dúvida um de nossos autores modernos que revela mais propensão para o teatro da comédia.
A sua peça de estréia 'O Secretário de S.Exa'., foi um trabalho de valor, e não houve quem a visse, representada no S. Pedro, que não profetisasse para Armando Gonzaga uma série de sucessos, logo que o jovem comediógrafo se dispuzesse a compor outras produções.
Coube à Companhia Abigail Maia apresentar ao público a sua segunda comédia que foi 'Ministro do Supremo', que fez centenário no Trianon, com Brandão Sobrinho no principal papel e à Companhia Davina Fraga a terceira, 'A flor dos maridos' em março deste ano no Recreio.
Estas duas produções ulteriores ao 'Secretário de S. Exa.' demonstraram bem que o comediógrafo progredia, à medida que realizava cada novo trabalho. E progride mesmo.
A comédia 'O amigo da paz', 3 atos que a companhia do Trianon nos deu ontem em 'premiére', são incontestavelmente, o que temos assistido de melhor no gênero, feito ultimamente aqui.
Quer como argumento, quer no que diz respeito a exigências de técnica, diálogos, cenas bem conduzidas, etc., o novo original de Armando Gonzaga é a prova do seu progresso na arte difícil de fazer teatro para o nosso público[...]"

(Boa Noite)
"O ideal de Adolpho é viver em paz absoluta. Justamente por isso, em sua casa reina habitualmente a balbúrdia. Vivem às suas sopas casais desocupados; jogam, brigam, discutem, cantam, gritam, trazem-lhe aquilo num verdadeiro salsifré, roubando-lhe todas as oportunidades de realizar o seu ideal de socego. Torquato, um dos parasitas, velhote madraço, arranja-lhe o negócio de um terreno por dez contos. Adolpho, quando conta ter resolvido o X do problema da felicidade, verifica por intermédio de um entendido, que o tal terreno é 'blague', não vale 'dez reis de mel coado'. Sua mãe, a velhinha Clemencia, é detestada por todos, que lhe não querem reconhecer na casa a ascendência moral. Sem forças para impor a sua vontade, vencido pela pusilaminidade em que se deixou ficar, Adolpho sente-se coagido a permitir que sua mãe deixe a casa. Finalmente, revoltado com a própria fraqueza, causa primordial que obsta à realização dos seus desejos de paz completa no lar, Adolpho tem um rasgo de energia e, num momento de indignação, consegue fazer-se respeitado, põe tudo nos eixos, expulsa de casa os parasitas, emprazando-os a se retirarem, doma a despótica Arminda, sua mulher, obriga os filhos à disciplina e repõe em casa a velha mãe.
Esse é em resumo, o entrecho da engraçadíssima comédia de Armando Gonzaga, 'O amigo da paz', que teve ontem no Trianon as suas primeiras representações. A peça agradou em cheio, tendo o elegante teatro da Avenida apanhado duas casas à cunha. No final do 1° ato, o feliz autor do 'Ministro do Supremo' foi chamado à cena, entre os aplausos da seleta assistência.[...]"



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