O embaixador - Críticas da Época

Ano: 1923
Críticas:

( Jornal do Comércio)
"Uma nova burleta da lavra do festejado escritor Sr. Armando Gonzaga, 'O Embaixador', foi ontem levada à cena no Teatro Carlos Gomes pela Companhia Garrido.
A peça que agradou em cheio, é uma charge aos nossos costumes, cheia de situações cômicas, do mesmo gênero do 'Mimoso Colibri', que fez o seu sucesso ainda não há muito no Trianon.
Ao escreve-la teve o seu autor um único objetivo: divertir e fazer rir o público, o que facilmente conseguiu. Não se trata de uma novidade, pois o entrecho gira em torno de uma história de conquistas amorosas de um estudante e de dois roceiros, oriundos de Santo Antônio da Montanha donde é filho o Major Viturvio de Lima, que, como embaixador, em companhia de um janota de 15 anos, Ernesto da Conceição, vem buscar o acadêmico Alberto, ficando afinal todos no Rio, perdidos nas pândegas.
Em torno desse banal assunto conseguiu o Sr. Armando Gonzaga, tecer três atos interessantes, cheios de humorismo, abuso dos condimentos, tão habitual a alguns escritores. Riu-se o público a valer, no correr desses três atos, provando assim ter agradado a burleta 'O Embaixador', que tem uma música magnífica do maestro Raul Martins, com bons números, como as duas lindas valsas do segundo e terceiro atos.
Para o êxito que teve a peça muito contribuiu o desempenho dado pelos artistas da Companhia Garrido, notadamente as Sras. Alda Garrido, em 'travesti' num garoto de 15 anos, Rosalia Pombo, em um tipo bem apreciável, Mathilde Costa, Estephania Louro, Rosa Sandrini e os Srs. Americo Garrido que no roceiro Major Vitruvio, compôs um tipo de sua especialidade, Alvaro Diniz e Manoel Teixeira."

(A Rua)
"Armando Gonzaga, triunfou mais uma vez como autor teatral. Suas duas comédias 'Ministro do Supremo' e 'Amigo da Paz', foram sem nenhuma dúvida, uma consagração. Esta nova peça, que teve ontem a sua primeira no Carlos Gomes, assinalou de maneira brilhante, o ciclo de triunfos que o seu autor está realizando. Girando o tema principal ao redor do clássico caipira espoliado pela jogatina e pelas mulheres, a peça tem contudo fases novas, com o que Gonzaga fez reviver numa velharia, mas com roupagens curiosas e imprevistas. 'O Embaixador', é de muita graça, de uma ironia sutilíssima pairando sobre os vícios da cidade e as ingenuidades dos matutos. Há ainda a tese sentimental, brilhantemente mantida em cena através da coragem amorosamente brasileira, com que aquele Alberto manda às urtigas o legado da tia e aquele Zezé despreza a fortuna do velho Jeremias.
'O Embaixador' se destina, pois, ao mais franco sucesso, por ser realmente uma peça excelente, em que há entrecho cheio de vida, muito espírito e, além disso, música nova e encantadora da autoria do maestro Sr. Raul Martins; os aplausos que a coroaram sobre justos são o sintoma do êxito que a acompanhará.
E note-se que nessa primeira de ontem, o desempenho deixou bastante a desejar. A Sra. Alda Garrido, por exemplo, embora se tenha conduzido bem não deu contudo, a interpretação feliz que costuma dar aos papeis que lhe são confiados.
A Sra. Estephania Louro no 'Canastrão' e Mathilde Costa estiveram pelo exagero, muito aquém do que seria para esperar. Rosalia Pombo fez com magnífica sobriedade e distinção o papel de 'Zezé' e o Sr. Garrido conduziu-se de tal forma admirável, que só ele encheu os três atos da peça do Sr. Gonzaga. Isto eqüivale dizer que, se com todos esses senões do palco, 'O Embaixador' manteve a platéia a rir, de princípio a fim, pela fina verve, uma vez sanados aqueles, conquistará esplendoroso êxito. E será merecidíssimo."



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