Armando Gonzaga - Caricatura




Armando Gonzaga
, nasceu no Rio de Janeiro, à época Capital do Império, em 20 de janeiro de 1884. Foi jornalista e teatrólogo.
Como jornalista, Armando Gonzaga foi revisor do Diário Oficial, do Correio da Manhã e do Jornal do Comércio. Foi repórter, redator, colaborador e correspondente de vários jornais e revistas como: Diário de Notícias, A Noite, A Notícia, A Tribuna, Boa Noite, Gazeta de Notícias, O País, Rio Jornal, A Lanterna, O Imparcial, A Folha, A Noite Ilustrada, O Malho, O Estado (de Niterói) O Momento (de Belo Horizonte), etc. Exerceu por longo tempo sua atividade no Senado Federal, como cronista parlamentar. Foi sócio conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - A.B.I. (matrícula n° 16), onde ingressou em abril de 1913.
A comédia nacional, que nasceu com Martins Pena, prosseguindo com França Júnior e Arthur Azevedo no século passado, veio a ressurgir com o antigo teatro Trianon, entre 1918 e 1922, com Armando Gonzaga, Gastão Tojeiro, Viriato Corrêa, Oduvaldo Viana e outros.
Como teatrólogo, Armando Gonzaga retratou a sociedade da época, em particular a pequena burguesia, com suas comédias de costumes e tipos humanos. Conquistou o público pela grande comicidade de suas peças, escritas com fina ironia e leves traços satíricos. A crítica da época não lhe poupou elogios. Seu teatro foi cômico, sem infantilidade e alegre, sem pornografia, mostrando as fraquezas humanas, pelo seu lado risível. Em 1920 entrou para a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais - SBAT, onde era membro do seu Conselho Deliberativo, e ocupou diversos cargos de direção, inclusive o de Presidente. Sobre a sua obra teatral, Genolino Amado faz o seguinte depoimento:
"Toda peça que lançava expunha um ângulo novo da existência na capital brasileira, era a animada crônica da vida que íamos vivendo e que ele, observador alegre, focalizava prazerosamente, para aumentar a nossa alegria...Os ridículos quotidianos, os minúsculos problemas familiares, as miúdas ambições, vaidades mesquinhas, ranzinzices de velhos burocratas, despotismos de sogras intolerantes, malandragens de maridos peraltas, falatórios de cozinheiras pernósticas e assanhamento de mocinhas casadoiras, tudo passava pelas situações e pelos diálogos daquele que escreveu 'O Ministro do Supremo', 'O Amigo da Paz', 'Cala a Boca Etelvina', tantas e tantas outras produções bem leves, mas bem verdadeiras, bem humanas, sobretudo bem cariocas...
Fazendo teatro, ele também fazia História... Pois na sua obra podemos encontrar senão o retrato, pelo menos a caricatura de toda uma época... Mas o caricaturista não tinha amargor nem indignações... Em vez de condenar, achava melhor sorrir... E o seu riso bom nos ajudou em horas melancólicas... Quem estivesse aborrecido conhecia o remédio para isso... Era ir ao teatro onde se lançasse a última comédia de Armando Gonzaga... Fígados engorgitadíssimos saiam da platéia inteiramente curados..." Amado, 1953:1.
A influência de seu teatro pode ser avaliada no seguinte testemunho de Daniel Rocha:
"O teatro de Armando Gonzaga, pela sua oportunidade, pela justeza de desenho de seus tipos, pela humanidade dos conflitos que analisa, transbordou do limitado círculo dos freqüentadores de nosso teatro, especialmente o Trianon, para invadir a cidade, a nossa imprensa e até mesmo as nossas casas legislativas. Austregesilo de Athayde, Mendes Fradique, Bastos Tigre, Nazareth de Menezes, Viriato Correia, e muitos outros jornalistas, se valiam freqüentemente de seus tipos e das reações que Gonzaga lhes imprimia em cena, para tema ou exemplo em seus artigos. Na Câmara ou no Senado, era comum um aparteante dizer: V. Excia. parece Fulano na peça tal de Armando Gonzaga!" Rocha, 1953:3.
Além de teatrólogo e jornalista, traduziu vários textos de autores estrangeiros como: "Os maridos de Leontina" de A. Capus; "Um caso sério" de Courteline; "O meu salvador" de Daniel Riche; "A doce inimiga" de André Paul Antoine; (esta em cartaz em São Paulo, no teatro Santana, pela Companhia Dulcina e Odilon, por ocasião do seu falecimento) "O Marquês de Priola" de H. Lavedan; "Um anjo" de A. Capus; "Soldado Fanfarrão" de Plauto; "O avoado" de Molière e "Sganarello" também de Molière, sendo as duas últimas traduções em versos alexandrinos.
Fontes:
AMADO, Genolino. "Armando Gonzaga", In: Boletim da SBAT, Ano XXXII, n. 271. Rio de Janeiro, 1953.
ROCHA, Daniel. "Armando Gonzaga. Sua vida e sua obra", In: Boletim da SBAT, Ano XXXII, n. 271. Rio de Janeiro, 1953.

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